sábado, 26 de abril de 2008

Um dia feliz

Eu havia planejado um fim de semana estúpido. Ficar em casa curtindo minha depressão, mas o dia me ofereceu um dia bom e eu escolhi aceitar. Sinal que eu já escolhi um novo caminho, de ver a beleza da vida, de curtir os amigos, de abrir meu coração para o amor. Sinal de que eu cresci e aos poucos vou deixando de ser aquela garotinha boba. Será que a felicidade é realmente possível? Deixo de enxergá - la como um sonho distante e sim como algo palpável, ela não é só uma explosão é também pequena e delicada como uma borboleta. Que bom que eu poso ver tudo isso, por um instante pensei que estava condenada à infelicidade. Mas porque diabos eu sou tão categórica? É burrice ser assim. Oh, como é estúpido ser humano! Pelo menos admito q sou humana. Já é um bom passo. Bem esse não era o objetivo inicial da postagem , mas como o blog é meu faço o que eu quero. Fujo do assunto como sempre faço. E aí vai a frase do dia:
" Eu só me acerto por linhas tortas"

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Dias de Clarisse

Odeio estar Clarisse. Me faz sentir tão fraca, tão tola e infantil. Quando acho que já passei dessa fase ela volta. " Viver em dor, o que ninguém entende Tentar ser forte a todo e cada amanhecer" Sinto que isso é bobagem, que a vida é maravilhosa e que só estou fazendo drama num dia de mau humor e cansaço. O mundo não acaba hoje nem que eu quisesse muito, mas por que sinto tanta pena de mim mesma? Eu devia acabar com esse blog, pois nunca tenho muito a dizer, mas por preguiça ou falta de coragem , insisto. Assumo que sou teimosa e pseudo - depressiva. Esse blog era para ser uma expressão poética e surreal mas é panfletária e baratamente melodramática. Mas que belo fracasso! Desisto por hoje. Só por hoje.
E para aproveitar o restinho lá vai mais um pedaço; " Eu sou um pássaro, me trancam na gaiola e esperam que eu cante como antes"
E outro: " E a dor é menor do que parece Quando ela se corta ela se esquece que é impossível ter da vida calma e força"

terça-feira, 22 de abril de 2008

Direto do inferno

O Diabo mora dentro de mim e me possui sempre que pode. Eu sou uma parte dele e ele me agradece por isso. Eu não tenho medo do inferno, eu quero estar nele. Eu quero arder em chamas, crepitar, rir desesperadamente. Eu não acredito em Deus. Eu não acredito nesse Deus tão injusto que deixa as pessoas passarem fome. Eu não acredito nesse Deus tão soberbo que não admite os próprios erros. Eu não acredito nesse Deus tão vaidoso que precisa que os outros se ajoelhem diante dele. Eu não acredito em pecados, porque eu sou um pecado. Porque eu erro todos os dias e na maioria das vezes não consigo me arrepender dos meus erros. Porque eu aceito o meu orgulho e a minha ambição como coisas completamente saudáveis. Eu não aceito mais a submissão, a renúncia dos prazeres. Gozem, gozem! Gozem porque a vida é curta. Porque amanhã você pode aparecer morto em qualquer esquina da cidade e alguém virá para lucrar com o seu desterro. Gozem porque a mentira e a hipocrisia estão à solta por aí. Vivam porque viver é uma forma de resistência. Sonhem porque o sonho não é divino, é absurdamente humano. Como ousam atribuir essa maravilha a Ele, o opressor? Se atrevam a cuspir na cara dos poderosos e a ajudar aqueles que sofrem. Descubram que o maniqueísmo é apenas o açoite nas costas do escravo. SE SINTAM. Trilhem seus próprios caminhos. Amem

Da arte da desobediência

O que alguém ganha sendo correta e obediente a vida toda? Nada. Foi isso que ganhei. Fui submissa, me anulei, tudo para corresponder a expectativas, para não decepcionar os outros. Só fiz perder tempo, deixei uma lacuna na minha vida. Só me resta essa imensa vontade de mandar todos tomarem no cú e jogar tudo para o alto! Chega de regras, de não pode fazer isso, é feio fazer aquilo. Chega de me limitar! Chega de tudo que ne impede de ser feliz, Viva a rebeldia, viva a revolução , viva os instintos mais selvagens!



Sorria

Não coma de boca aberta,
não fale de boca cheia;
não beba de barriga vazia
não fale da vida alheia,
não julgue sem ter certeza e
não apoie os cotovelos sobre a mesa
não pare no acostamento,
não passe pela direita,
não passe embaixo de escada que dá azar
não cuspa no chão da rua,
não cuspa pro alto,
não deixe de dar descarga depois de usar
não use o nome de Deus em vão
não use o nome de Deus em vão,irmão
não use o nome de Deus em vão
não use remédios sem orientação
SORRIA! Você tá sendo filmado
SORRIA! Você tá sendo observado
SORRIA! Você tá sendo controlado
'cê tá sendo filmado! 'cê tá sendo filmado!
Não coma de boca aberta, não fale de boca cheia,
não toque nos produtos se não for comprar
não pise na grama, não faça xixi na cama;
não ame quem não te ama [não ame quem não te ama!]
não chame os elevadores em caso de incêndio
não entre no elevador sem antes verificar
se o mesmo encontra-se neste andar
não chupe balas oferecidas por estranhos
não recuse um convite sem dizer obrigado
não diga palavras chulas na frente dos seus avós
não fale com o motorista; apenas o necessário
não se deixe levar pelos instintos carnais
não desobedeça seus pais
não dê esmola aos mendigos,
não dê comida aos animais
não dê comida aos animais,
não dê esmola aos mendigos
não coma de boca aberta,
não fale de boca cheia,
não dê na primeira noite,
não coma a mulher do amigo.
Refrão
Não use o nome de Deus em vão
não use o nome de Deus em vão, irmão
não use o nome de Deus em vão
não use remédios sem orientação
Não se deixe levar!
não se deixe levar!
não se deixe levar!
não se deixe levar! (2x)
Coma de boca aberta, coma de boca fechada
coma nos elevadores
em caso de incêndio coma nas escadas
coma no chão da rua, coma na grama, coma na cama
ame quem não te ama,
não recuse balas oferecidas por estranhos
não dê esmola aos mendigos sem dizer obrigado
não chupe os animais,
não desobedeça aos seus instintos carnais
não dê na primeira noite na frente dos seus avós
não use o nome de Deus se não for comprar
não coma a mulher do amigo sem antes verificar
se o mesmo encontra-se neste andar.


(Gabriel o pensador)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Aproveitando a viagem

Já que eu estou aqui, lembrei - me desse texto de Vinícius de Moraes


Mensagem à poesia
Mensagem à poesia
Não possoNão é possívelDigam-lhe que é totalmente impossívelAgora não pode serÉ impossívelNão posso.Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrarMuitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundoE as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindoA saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuoNos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lheQue a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso reconquistar a vidaFaçam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhosPronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vouNão é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcereHá um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meusOmbros não se devem curvar, que meus olhos não se devemDeixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homensE não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entantoQue sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimentoAos homens perplexos; digam-lhe que me foi dadaA terrível participação, e que possivelmenteDeverei enganar, fingir, falar com palavras alheiasPorque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.Se ela não compreender, oh procurem convencê-laDesse invencível dever que é o meu; mas digam-lheQue, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que meDói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro ladoNão devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimentoNem debruçar-me sobre mim quando a meu ladoHá fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estradaJunto a um cadáver de mãe: digam-lhe que háUm náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homemArrependido; digam-lhe que há uma casa vaziaCom um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grandeAumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferaçõesHá fantasmas que me visitam de noiteE que me cumpre receber, contem a ela da minha certezaNo amanhãQue sinto um sorriso no rosto invisível da noiteVivo em tensão ante a expectativa do milagre; por issoPeçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agoraCom a sua voz de sombra; que não me faça sentir covardeDe ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurávelSolidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se calePor um momento, que não me chamePorque não posso irNão posso irNão posso.Mas não a traí. Em meu coraçãoVive a sua imagem pertencida, e nada direi que possaEnvergonhá-la. A minha ausência.É também um sortilégioDo seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-IaNum mundo em paz. Minha paixão de homemResta comigo; minha solidão resta comigo; minhaLoucura resta comigo. Talvez eu devaMorrer sem vê-Ia mais, sem sentir maisO gosto de suas lágrimas, olhá-la correrLivre e nua nas praias e nos céusE nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esseO meu martírio; que às vezesPesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosasForças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a trevaMas que eu devo resistir, que é preciso...Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescênciaCom toda a violência das antigas horas de contemplação extáticaNum amor cheio de renúncia. Oh, peçam a elaQue me perdoe, ao seu triste e inconstante amigoA quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhanteA quem foi dado se perder de amor por uma pequena casaPor um jardim de frente, por uma menininha de vermelhoA quem foi dado se perder de amor pelo direitoDe todos terem um pequena casa, um jardim de frenteE uma menininha de vermelho; e se perdendoSer-lhe doce perder-se...Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrívelPeçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ameQue me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agoraÉ mais forte do que eu, não posso irNão é possívelMe é totalmente impossívelNão pode ser nãoÉ impossívelNão posso.

Uma coisa que todos deveriam saber

Vou postar aqui um texto do meu grande ídolo Glauber Rocha. Ele diz algumas coisas das quais no fundo temos consciência mas preferimos esquecer.´
Por todas as influências que recebi essa semana

Eztetyca da fome
Dispensando a introdução informativa que se transformou na característica geral das discussões sobre América Latina, prefiro situar as reações entre nossa cultura e a cultura civilizada em termos menos reduzidos do que aqueles que, também, caracterizam a análise do observador europeu. Assim, enquanto a América Latina lamenta suas misérias gerais, o interlocutor estrangeiro cultiva o sabor dessa miséria, não como sintoma trágico, mas apenas como dado formal em seu campo de interesse. Nem o latino comunica sua verdadeira miséria ao homem civilizado nem o homem civilizado compreende verdadeiramente a miséria do latino.Eis – fundamentalmente – a situação das Artes no Brasil diante do mundo: até hoje, somente mentiras elaboradas da verdade (os exotismos formais que vulgarizam problemas sociais) conseguiram se comunicar em termos quantitativos, provocando uma série de equívocos que não terminam nos limites da Arte mas contaminam o terreno geral do político. Para o observador europeu, os processos de criação artística do mundo subsesenvolvido só o interessam na medida que satisfazem sua nostalgia do primitivismo, e este primitivismo se apresenta híbrido, disfarçado sob tardias heranças do mundo civilizado, mal compreendidas porque impostas pelo condicinamento colonialista.A América Latina permanece colônia e o que diferencia o colonialismo de ontem do atual é apenas a forma mais aprimorada do colonizador: e além dos colonizadores de fato, as formas sutis daqueles que também sobre nós armam futuros botes. O problema internacional da AL é ainda um caso de mudança de colonizadores, sendo que uma libertação possível estará ainda por muito tempo em função de uma nova dependência.Este condicionamento econômico e político nos levou ao raquitismo filosófico e à impotência, que, às vezes inconsciente, às vezes não, geram no primeiro caso, a esterilidade e no segundo a histeria.A esterilidade: aquelas obras encontradas fartamente em nossas artes, onde o autor se castra em exercícios formais que, todavia, não atingem a plena possessão de suas formas. O sonho frustrado da universalização: artistas que não despertaram do ideal estético adolescente. Assim, vemos centenas de quadros nas galerias, empoeirados e esquecidos; livros de contos e poemas; peças teatrais, filmes (que, sobretudo em São Paulo, provocaram inclusive falências)... O mundo oficial encarregado das artes gerou exposições carnavalescas em vários festivais e bienais, conferências fabricadas, fórmulas fáceis de sucesso, coquetéis em várias partes do mundo, além de alguns monstros oficiais da cultura, acadêmicos de Letras e Artes, júris de pintura e marchas culturais pelo país afora. Monstruosidades universitárias: as famosas revistas literárias, os concursos, os títulos.A histeria: um capítulo mais complexo. A indignação social provoca discursos flamejantes. O primeiro sintoma é o anarquismo que marca a poesia jovem até hoje (e a pintura). O segundo é uma redução política da arte que faz má política por excesso de sectarismo. O terceiro, e mais eficaz, é a procura de uma sistematização para a arte popular. Mas o engano de tudo isso é que nosso possível equilíbrio não resulta de um corpo orgânico, mas de um titânico e autodevastador esforço de superar a impotência: e no resultado desta operação a fórceps, nós nos vemos frustrados, apenas nos limites inferiores do colonizador: e se ele nos compreende, então, não é pela lucidez de nosso diálogo mas pelo humanitarismo que nossa informação lhe inspira. Mais uma vez o paternalismo é o método de compreensão para uma linguagem de lágrimas ou de sofrimento.A fome latina, por isto, não é somente um sintoma alarmante: é o nervo de sua própria sociedade. Aí reside a trágica originalidade do Cinema Novo diante do cinema mundial: nossa originalidade é a nossa fome e nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida.De Aruanda a Vidas Secas , o Cinema Novo narrou, descreveu, poetizou, discursou, analisou, excitou os temas da fome: personagens comendo terra, personagens comendo raízes, personagens roubando para comer, personagens matando para comer, personagens fugindo para comer, personagens sujas, feias, descarnadas, morando em casas sujas, feias, escuras: foi esta galeria de famintos que identificou o Cinema Novo com o miserabilismo tão condenado pelo Governo, pela crítica a serviço dos interesses antinacionais pelos produtores e pelo público – este último não suportando as imagens da própria miséria. Este miserabilismo do Cinema Novo opõe-se à tendência do digestivo, preconizada pelo crítico-mor da Guanabara, Carlos Lacerda: filmes de gente rica, em casas bonitas, andando em carros de luxo: filmes alegres, cômicos, rápidos, sem mensagens, de objetivos puramente industriais. Estes são os filmes que se opõem à fome, como se, na estufa e nos apartamentos de luxo, os cineastas pudessem esconder a miséria moral de uma burguesia indefinida e frágil ou se mesmo os próprios materiais técnicos e cenográficos pudessem esconder a fome que está enraizada na própria incivilização. Como se, sobretudo, neste aparato de paisagens tropicais, pudesse ser disfarçada a indigência mental dos cineastas que fazem este tipo de filme. O que fez do Cinema Novo um fenômeno de importância internacional foi justamente seu alto nível de compromisso com a verdade; foi seu próprio miserabilismo, que, antes escrito pela literatura de 30, foi agora fotografado pelo cinema de 60; e, se antes era escrito como denúncia social, hoje passou a ser discutido como problema político. Os próprios estágios do miserabilismo em nosso cinema são internamente evolutivos. Assim, como observa Gustavo Dahl, vai desde o fenomenológico (Porta das Caixas), ao social (Vidas Secas), ao político (Deus e o Diabo), ao poético (Ganga Zumba), ao demagógico (Cinco vezes Favela), ao experimental (Sol Sobre a Lama), ao documental (Garrincha, Alegria do Povo), à comédia (Os Mendigos), experiências em vários sentidos, frustradas umas, realizadas outras, mas todas compondo, no final de três anos, um quadro histórico que, não por acaso, vai caracterizar o período Jânio-Jango: o período das grandes crises de consciência e de rebeldia, de agitação e revolução que culminou no Golpe de Abril. E foi a partir de Abril que a tese do cinema digestivo ganhou peso no Brasil, ameaçando, sistematicamente, o Cinema Novo.Nós compreendemos esta fome que o europeu e o brasileiro na maioria não entende. Para o europeu é um estranho surrealismo tropical. Para o brasileiro é uma vergonha nacional. Ele não come, mas tem vergonha de dizer isto; e, sobretudo, não sabe de onde vem esta fome. Sabemos nós – que fizemos estes filmes feios e tristes, estes filmes gritados e desesperados onde nem sempre a razão falou mais alto – que a fome não será curada pelos planejamentos de gabinete e que os remendos do tecnicolor não escondem mas agravam seus tumores. Assim, somente uma cultura da fome, minando suas próprias estruturas, pode superar-se qualitativamente: a mais nobre manifestação cultural da fome é a violência. A mendicância, tradição que se implantou com a redentora piedade colonialista, tem sido uma das causadoras de mistificação política e de ufanista mentira cultural: os relatórios oficiais da fome pedem dinheiro aos países colonialistas com o fito de construir escolas sem criar professores, de construir casas sem dar trabalho, de ensinar ofício sem ensinar o analfabeto. A diplomacia pede, os economistas pedem, a política pede: o Cinema Novo, no campo internacional, nada pediu: impôs-se a violência de suas imagens e sons em vinte e dois festivais internacionais.Pelo Cinema Novo: o comportamento exato de um faminto é a violência, e a violência de um faminto não é primitivismo. Fabiano é primitivo? Antão é primitivo? Corisco é primitivo? A mulher de Porto das Caixas é primitiva?Do Cinema Novo: uma estética da violência antes de ser primitiva e revolucionária, eis aí o ponto inicial para que o colonizador compreenda a existência do colonizado: somente conscientizando sua possibilidade única, a violência, o colonizador pode compreender, pelo horror, a força da cultura que ele explora. Enquanto não ergue as armas o colonizado é um escravo: foi preciso um primeiro policial morto para o francês perceber um argelino.De uma moral: essa violência, contudo, não está incorporada ao ódio, como também não diríamos que está ligada ao velho humanismo colonizador. O amor que esta violência encerra é tão brutal quanto a própria violência, porque não é um amor de complacência ou de contemplação mas um amor de ação e transformação.O Cinema Novo, por isto, não fez melodramas: as mulheres do Cinema Novo sempre foram seres em busca de uma saída possível para o amor, dada a impossibilidade de amar com fome: a mulher protótipo, a de Porto das Caixas, mata o marido, a Dandara de Ganga Zumba foge de guerra para um amor romântico;Sinhá Vitória sonha com novos tempos para os filhos, Rosa vai ao crime para salvar Manuel e amá-lo em outras circunstâncias; a moça do padre precisa romper a batina para ganhar um novo homem; a mulher de O Desafio rompe com o amante porque prefere ficar fiel ao seu mundo burguês; a mulher em São Paulo S.A. quer a segurança do amor pequeno-burguês e para isso tentará reduzir a vida do marido a um sistema medíocre.Já passou o tempo em que o Cinema Novo precisava explicar-se para existir: o Cinema Novo necessita processar-se para que se explique à medida que nossa realidade seja mais discernível à luz de pensamentos que não estejam debilitados ou delirantes pela fome.O Cinema Novo não pode desenvolver-se efetivamente enquanto permanecer marginal ao processo econômico e cultural do continente latino-americano; além do mais, porque o Cinema Novo é um fenômeno dos povos colonizados e não uma entidade privilegiada do Brasil: onde houver um cineasta disposto a filmar a verdade e a enfrentar os padrões hipócritas e policialescos da censura, aí haverá um germe vivo do Cinema Novo. Onde houver um cineasta disposto a enfrentar o comercialismo, a exploração, a pornografia, o tecnicismo, aí haverá um germe do Cinema Novo. Onde houver um cineasta, de qualquer idade ou de qualquer procedência, pronto a pôr seu cinema e sua profissão a serviço das causas importantes de seu tempo, aí haverá um germe do Cinema Novo. A definição é esta e por esta definição o Cinema Novo se marginaliza da indústria porque o compromisso do Cinema Industrial é com a mentira e com a exploração.A integração econômica e industrial do Cinema Novo depende da América Latina. Para esta liberdade, o Cinema Novo empenha-se, em nome de si próprio, de seus mais próximos e dispersos integrantes, dos mais burros aos mais talentosos, dos mais fracos aos mais fortes. É uma questão de moral que se refletirá nos filmes, no tempo de filmar um homem ou uma casa, no detalhe que observar, na Filosofia: não é um filme mas um conjunto de filmes em evolução que dará, por fim, ao público, a consciência de sua própria existência.Não temos por isto maiores pontos de contato com o cinema mundial. O Cinema Novo é um projeto que se realiza na política da fome, e sofre, por isto mesmo, todas as fraquezas conseqüentes da sua existência.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Cansei de ilusões

Cansei de ilusões. Cansei mesmo? Não sei. Sei apenas que estou indiferente como uma autista. Cansei de ilusões. Será por isso que o mundo se tornou bem menos interessante? Cansei de ilusões. Será por isso que o mundo me parece bem mais real? Cansei de ilusões. E qual a graça da merda do mundo real? Cansei de ilusões. E esqueci do futuro. Cansei de ilusões. Eu não sinto o presente. Cansei de ilusões. Não me apego ao passado. Cansei de ilusões. E por que ainda espio o mundo à minha volta? Cansei de ilusões. E por que ainda penso no que não me pertence? Cansei de ilusões, cansei. Cansei de ilusões. Cansei de ilusões, cansei de ilusões, cansei de ilusões, cansei de ilusões! CANSEI DE ILUSÕES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Cansei de ilusões?

domingo, 13 de abril de 2008

Dia de guerra

Sabe aquelas coisas que você no fundo você sabia que eram verdade mas mesmo assim afirmava para si mesmo q eram mentira? Pois é me deparei com uma dessas esse final de semana... E agora o que fazer? Nada, porque isso nada tem a ver comigo. Mas como eu queria que tivessem, como queria poder fazer alguma coisa. Mas isso não saiu da minha cabeça durante o fim de semana, merda que cabeça traiçoeira! Eu sou uma irracional e nada posso fazer porque sou livre. Mas qual o preço da liberdade? Não quero mais pensar sobre isso. Acabo por aqui.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Qualquer um que visse esse blog certamente não me reconheceria. Eu não sou essa pessoa triste e melancólica que aparento neste blog, é que o desejo de escrever vem principalmente no momento de fraqueza. Ele é parte de várias ferramentas que tenho para eliminar a tristeza. A tristeza é somente um disfarce, uma capa para quem busca proteção. Na maioria das vezes suporto bem o mundo e ele não me pesa nos ombros. Apenas vivo um dia atrás do outro. Para uma pessoa que não sabe direito o que quer isso não é absurdo, é somente a saída possível. Tento o tempo todo me desencaixar da realidade quando ela não me agrada ou não me é compreensível. Quando não preciso compreendê - la apenas a sinto e isso já me dá todas as respostas necessárias. Hoje posso dizer que de um modo inesperado encontrei a serenidade. Uma serenidade estranha, meio alienada, meio apática mas que veio quando eu não a buscava e é ela que me mantém em pé. O que será de mim amanhã? Não sei, só vivendo para descobrir.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Apenas tristeza

Hoje uma tristeza toma conta de mim, um sentimento terno, calmo, pálido, justamente dos mais perigosos. Sinto falta, falta de muita coisa, falta tudo. Falta amor, alegria, pessoas queridas, chão. É como se eu estivesse condenada a tudo isso, eu queria romper com essa realidade mas parece que não tenho forças. Cada vez me sinto mais fraca, mais criança assustada querendo colo. Mas essa não é a hora certa para isso, não é a vida certa, está tudo errado. Eu não sei, não sei mais nada.


Escândalo

Mas, doce irmã, o que você quer mais
Eu já arranhei minha garganta toda atrás de alguma paz
Agora nada de machado e sândalo
Eu já estou sã da loucura que havia em sermos nós
Também sou fã da lua sobre o mar
Todas as coisas lindas dessa vida eu sempre soube amar
Não quero quebrar os bares como um vândalo
Você que traz o escândalo irmã luz
Eu marquei demais, tô sabendo
Aprontei de mais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui
Me responda, tô sofrendo
Rompe a manhã da luz em fúria arder
Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui só
Mamãe, eu já marquei demais, tô sabendo
Aprontei de mais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui
Mes responda, tô sofrendo
Rompe a manhã da luz em fúria arder
Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui só
(Caetano Veloso)

domingo, 6 de abril de 2008

Uma saudade horrível

Saudade. Saudade. Uma saudade horrível e avassaladora de casa. Ainda não acredito que vou passar o resto do meu ano aqui, e talvez até o resto da minha vida. Isso aqui não é o meu lugar. Saudades do meu conforto, da companhia familiar, da tranquilidade... Não que lá eu não tivesse conflitos, mas pelo menos eu não me afogava neles. A minha fortaleza aqui se explodiu, portanto não tem paz nem segurança. Que vontade de mudar de lugar, viver em férias eternas, p poder ter a mesma vidinha de antes. Que saudade dos mesmos cheiros , dos mesmos tatos, do mesmo gosto. Ainda vou completar 2 meses, e ainda falta 10 meses para voltar. Como eu faço?
Eu quero voltar mas não posso, eu quero regredir mas não devo. Socorro! Socorro.
Numa noite (que já vai virar madrugada) tão confusa mais de uma postagem se faz necessária, mais de uma visita a dentro de mim acontece. Aliás, confusão é a palavra perfeita para definir o que eu sinto. O que eu sou? O que faço ? O que eu quero? O que eu amo? Essas são perguntas que rodeiam a minha cabeça constantemente, tanto , que chegam a se tornar repetitivas. Só vejo no meu passado um monte de lacunas vazias, no meu presente uma parede em branco e no meu futuro um céu de tempestade, escuro e barulhento. Não entendo coisa alguma, e será que é preciso entender? Não enxergo o meu tamanho, mas será que é preciso medir? Só vivo com uma ânsia incontrolável sem me dar conta de que os dias estão passando. Se tenho um mundo inteiro a conquistar, será que ele espera por mim? Por que tenho tanta pressa? Há respostas para tantas perguntas? Elas são úteis? A urgência em me decifrar vem da falta de clareza do que me rodeia e da falta de perspectiva para os próximos dias. Se as coisas não fazem sentido será que elas ainda são? Não sei mais espremer palavras, agora vou só roubá - las de alguns artistas queridos.


Lenine
Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal
E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim
E o que é que eu procuro afinal
Um sinal, uma porta pro infinito irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais
Afinal, como estrelas que brilham em paz
Solidão, o silêncio das estrelas, a ilusão
Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos
Como um deus e amanheço mortal
Um sinal, uma porta pro infinito irreal
O que não pode ser dito, afinal
Ser um homem em busca de mais
Afinal, ser um homem em busca de mais

Cássia Eller

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada

Raul Seixas
Não sei onde eu to indo Mas sei que eu to no meu caminho Enquanto você me critica, eu to meu caminho Eu sou o que sou, porque eu vivo a minha maneira Só sei que eu sinto que foi sempre assim minha vida inteira

sábado, 5 de abril de 2008

Paguei o preço do meu orgulho, e foi em espécie. Eu podia ter resistido mas senti que não devia ter qualquer tipo de tolerância, já passou muito da hora de eu começar a me afirmar, a impor a minha vontade. É sobretudo uma questão de respeito. Não me senti muito bem ao fazer isso, achei que me comportei como uma criança mimada, mas o processo de mudança envolve algum sofrimento. Sei que se eu não tivesse feito isso amanhã me sentiria pior do que já estou, acharia que sou uma covarde, uma submissa. É hora de mostrar o meu verdadeiro eu, mesmo que ele seja incrivelmente confuso e não saiba ainda como lidar com as situações. Não sei o que sinto na maioria das vezes, posso também achar que não sinto, agora só sei que sinto uma tristeza apática. Me deu uma vontade enorme de ir para casa embora não saiba exatamente onde ela fica, um desejo de encontrar todo o aconchego e paz que ela me promete. E isso só revela a minha criança assustada, arredia, que só procura o colo da mãe para ficar tranquila. É só de um pouco de amor que eu preciso, é só um pouco de paz o que eu mereço.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O carpe diem

Todos os dias, por todos os cantos há alguém dizendo: carpe diem. E eu inclusive dezenas de vezes me olho no espelho e digo: carpe diem. Mas nem sempre eu sinto isso, aí a dona culpa aparece para me fazer companhia( ela é q nem visita indesejada: não devia aparecer mas insiste em nos incomodar) . Em compensação quando eu sinto eu desejo com toda alma: carpe diem e a noite também, seja lá como se escreve noite em latim. Eu preciso viver isso todo dia e quando posso vivo. Vivo, vivo. Vivo desesperadamente me agarrando a cada sensação boa para que ela não escape correndo. Eu preciso de furacões , eu quero me deixar perder , eu quero viver de emoção. Que uma força maior do que eu me domine e que eu sempre tenha uma boa história para contar. Que eu dê aqueles sorrisos e veja naqueles que estão à minha volta a felicidade transbordar por todos os cantos. Sinto saudades dos meus abraços apertados que me diziam tudo que eu precisava ouvir, da intensidade e sentimentos que eu tinha neles. Desejo simplesmente viver inexoravelmente, irremediavelmente, loucamente. Eu só quero ser feliz do jeito que eu encontrar e sentir prazer até ficar extasiada, transtornada, amalucada. Ser maluca é muito bom! É não deixar que os outros te impeçam de fazer o que tem vontade, é se sentir REALIZADA! A loucura é a minha grande inspiração, é a grande salvação da humanidade. Viva o poder que eu posso sentir sobre mim mesma! Viva todos os amores que ainda vou sentir! Vou comemorar eternamente a possibilidade de ser o mundo e não apenas fazer parte dele. Vou soltar o leão que tem dentro de mim e deixar que ele ruja! E sabe pra quê ? Pra " pular de olhos fechados, mas ao pular me ver ganhar asas e voar"!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Os sonhos

Meus sonhos nunca me ajudam, somente me confundem. Várias vezes eles já me trairam sem um pingo de compaixão e me fizeram acordar no meio da noite, confusa, assustada, sem saber o que fazer. Ao amanhecer estava contando os mortos da tragédia , sentindo o frio do início da manhã e vendo por onde podia reconstruir os destroços da tempestade. Sei que essa tempestade é apenas dentro de um copo d' água mas é o meu copo, um copo que parece ser fã de Almodóvar e de novela mexicana de tão dramático que é. A verdade é que os sonhos são mentirosos, são como sereias, somente querem nos arrastar para o fundo do mar. É inútil eu tentar me salvar, já fui capturada e nem ao menos tenho o doce sabor da ilusão que eles proporcionam. Estou presa e tenho consciência disso. O efeito da droga já passou e só ficou o vício , a dependência. Por isso tento me atirar em tudo aquilo que os nega, para me provar que não vivo em função deles. O grande problema dos sonhos é que eles só trazem o ideal e não o real. E qual é o meu grande problema? É que eu não quero viver de realidade, principalmente porque estou muito afastada dela, tanto que ela não faz o menor sentido. E para quê o sentido? Para que com ele venha atrelada uma solução.