quarta-feira, 2 de abril de 2008

Os sonhos

Meus sonhos nunca me ajudam, somente me confundem. Várias vezes eles já me trairam sem um pingo de compaixão e me fizeram acordar no meio da noite, confusa, assustada, sem saber o que fazer. Ao amanhecer estava contando os mortos da tragédia , sentindo o frio do início da manhã e vendo por onde podia reconstruir os destroços da tempestade. Sei que essa tempestade é apenas dentro de um copo d' água mas é o meu copo, um copo que parece ser fã de Almodóvar e de novela mexicana de tão dramático que é. A verdade é que os sonhos são mentirosos, são como sereias, somente querem nos arrastar para o fundo do mar. É inútil eu tentar me salvar, já fui capturada e nem ao menos tenho o doce sabor da ilusão que eles proporcionam. Estou presa e tenho consciência disso. O efeito da droga já passou e só ficou o vício , a dependência. Por isso tento me atirar em tudo aquilo que os nega, para me provar que não vivo em função deles. O grande problema dos sonhos é que eles só trazem o ideal e não o real. E qual é o meu grande problema? É que eu não quero viver de realidade, principalmente porque estou muito afastada dela, tanto que ela não faz o menor sentido. E para quê o sentido? Para que com ele venha atrelada uma solução.

2 comentários:

Bárbara Guerra. disse...

A realidade pode ser um sonho.
Sonhos são realidade.
Um sonho pode ser o sentido.
(se você achar o sentido do sonho)

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isso não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado."
William Shakespeare

Bárbara Guerra. disse...

Te amo, Carol.

Texto muito bom.
Que bom que agora vc tbm tem um blog.
*_*'