Lembro - me de um dia em que passava conversando com uma amiga ( à época) e estávamos falando sobre Deus e a religião. Aí eu solto algo mais ou menos assim: "A gente tem o mau costume de não agradecer a Deus pelas coisas. E quando agradecemos é só pela alegria e nunca pela dor. A gente devia agradecer pela dor, pois é através do sofrimento que a gente cresce." Quem me conhece hoje em dia jamais acreditaria que eu já fui capaz de dizer um absurdo desses. Quando eu digo que só o ateísmo salva( pelo menos o meu que é peculiar- aliás isso é outra história) ... Talvez eu não tivesse ainda sofrido de verdade, ou tivesse e não dimensionasse a merda que é o sofrimento. Ele atrasa a nossa vida e não deixa que a gente descubra o sabor de sentir profundo. Ainda bem que eu mudei e hoje sou uma outra pessoa. É estranho dizer isso mas sou outra pessoa, muito diferente. Às vezes acho que eu era louca, louca mesmo. E era uma loucura não saudável como a atual. Loucura ( a atual) que descobri também em Glauber Rocha. Depois que assisti Terra em transe não me sinto mais só no mundo (tá, isso foi dramático demais) . Mas descobri alguém tão louco, confuso e poético como eu. Adoro a falta de ordem das coisas( mentira, nem tanto) . Loucura mesmo é essa vida que de repente faz você fechar os olhos e ver tudo diferente.
Ah e algo que está faltando: Por que alguém que vive no melhor lugar , a fronteira entre a loucura e a consciência, cometeria o absurdo de desejar crescer? Crescer é adquirir responsabilidade e bom é viver pelo impulso das emoções. Se esse não fosse um processo irreversível... ( droga de coisa que inventou as regras do mundo)
E sim, Luanda. Eu também tenho síndrome de Peter Pan , vc estava certa.
Internetes
Há 15 anos

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