Um dia longo , é verdade, mais de doze horas de aula, um pouco além do humanamente aceitável. Mas ao menos a última aula foi de filosofia. Algo demasiado pequeno , mas infinitamente grande para mim. Foram as minhas primeiras viagens no vôo da coruja. Finalmente vi que o dia valeu a pena quando Adônis ( nome sugestivo, não?) soltou essa frase : " Transcender : ultrapassar os limites do mundo físico" , além disso falou da superação da falsa moral, da transvaloração dos valores, do super - homem e eu me achei. Achei o que a tanto tempo se encontrava perdido e agora me veio à tona; foi como eu tivesse me descoberto, retirado o véu que encobria aquilo que estava tão óbvio e obscuro ao mesmo tempo. Eu sou isso: sou aquela que quer quebrar as barreiras, sobretudo as minhas. Aquela que quer descobrir o seu próprio modo de vida, o seu caminho. Eu quero me elaborar a partir dos meus próprios pensamentos, e poder superar todos esses valores mesquinhos, toda essa racionalidade que só produz sofismas. Quero sobretudo cultuar sempre o prazer, sentir sobretudo, sentir a realidade ao invés de enxergá - la apenas, uma coisa de tato, de alma. Mas o pior de tudo é que me enquadro num sistema que nega tudo isso. Eu estou estudando para uma prova de competição, estudando coisas desagradáveis e desinteressantes em sua maioria para provar que eu estou apta a ingressar num centro de conhecimento, ou seja um lugar que supera essas estruturas. Tudo nela me leva a fincar meus pés no chão que nem uma planta , criando raízes. Planta não pensa.Não tem alma. Não voa. Às vezes eu acho que estou involuindo. Se não fosse por alguns conhecimentos adicionais e bem úteis e pela experiência de vida eu diria que esse processo não vale a pena. Mas tenho eu o direito de questionar alguma coisa? Não. Não há outra forma de me excluir deste sistema alienante denominado vestibular senão me incluindo nele. Contraditório, não? É demais para minha cabeça. Agora vou ver tv para esvaziar a mente.
Um comentário:
\o/
Gostei do post.
MUITO.
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